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Análise: "Exemplo da brutalidade do fanatismo"

Postado às 08h49 | 25 Out 2020

Ney Lopes

Recentemente, ocorreu assassinato na França, que comprova os males irremediáveis do fanatismo religioso, ou, político, em favor de quem quer que seja, jamais podendo ser considerado direito à liberdade de expressão.

Trata-se de grave patologia social, que deve ser extirpada, além de punidos severamente àqueles que estimularem tais comportamentos.

O professor de ensino médio Samuel Paty no último dia 16, foi brutalmente decapitado, no meio da rua, perto da escola Bois d'Aulne, onde ele trabalhava, em “Conflans-Sainte-Honorine”, pequena cidade de 35 mil habitantes a 50 quilômetros de Paris. Samuel Paty era totalmente dedicado à sua profissão e sempre aberto ao diálogo democrático. Fazia com os seus alunos nas aulas de cidadania exercícios sobre a liberdade de expressão, terrorismo e intolerância religiosa e política.

Nessas ocasiões mostrava cartaz do profeta Maomé, sem nenhum insulto. Mesmo com essa cautela, o professor ao regressar para sua casa, onde morava com filho de 5 anos, foi abordado repentinamente pelo “fanático” Abdoullah Anzonov, um jovem de 18 anos, nascido na Chechênia, que gritando “Alá é Grande” decapitou-o com uma faca.

A irracionalidade e loucura do assassino chegou ao ponto de fotografar a “cabeça ensanguentada” da vítima e colocá-la no seu celular, apreendido depois pela Polícia.

Samuel Paty foi homenageado em todo o mundo, com manifestações a favor da liberdade.

Crime monstruoso, manifestação extrema do obscurantismo. Infelizmente proliferam os riscos iminentes do “fanatismo” no mundo, justificado não apenas por motivações religiosas, mas também apoio à líderes ultrarradicais, tentativas de fechamento sumário de instituições legais, supremacia branca, acusações intempestivas até contra a vacina da Covid 19, apenas por ter origem na China, quando a vida humana está em jogo e a última palavra deve ser da ciência.

O valor supremo é a liberdade de expressão, que garante todos terem as suas ideias e as defenderem, porém sem atitudes extremadas, que levem a situações imprevisíveis.

Separar o joio do trigo, como medida preventiva, combatendo a intolerancia é uma tarefa, inclusive dos brasileiros responsáveis, enquanto há tempo.

 

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