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Análise: "O dia seguinte ao 7 de setembro"

Postado às 07h53 | 08 Sep 2021

Ney Lopes

Hoje, o dia seguinte da “catástrofe política” causada pelos inoportunos discursos do presidente em SP e Brasília.

Felizmente, ao contrário de certas previsões, não ocorreram tumultos, nem violências físicas nas ruas do país.

Mas, Bolsonaro ao invés de aproveitar a data cívica e o bom comparecimento de seus adeptos nas concentrações realizadas, para apelar à paz e a unidade nacional, soltou a “língua”, sem freios ou limites, e agrediu verbalmente os poderes judiciário e legislativo.

Qual será a intenção de Bolsonaro?

Exigir apoio das Forças Armadas e assumir o poder em caráter discricionário?

Adotar o exemplo de El Salvador, republiqueta latino-americana, que recentemente adotou o modelo da aposentadoria compulsória dos juízes?

O presidente afirmou, sem meias palavras, que não cumprirá decisão emanada do STF, o que infringe o artigo 85 da Constituição que define como crime de responsabilidade atos do presidente que atentem contra a Constituição.

Por mais absurda ou excessiva que seja uma ordem judicial, os meios de combate-la são os recursos judiciais, nunca a recusa de um chefe de Estado de cumpri-la.

O próprio Bolsonaro abriu o caminho para o seu impeachment.

O presidente da Câmara está pressionado para instaurar o procedimento de afastamento do presidente.

Não se sabe como ele agirá.

Como o impeachment é remédio amargo e traumático, paralisando o país, há uma corrente que propõe o TSE apressar o julgamento do processo em tramitação, instaurado na justiça eleitoral, em função de uma transmissão ao vivo realizada pelo presidente, em julho, acusando o tribunal, sem provas, de fechar os olhos para evidências de manipulação em urnas eletrônicas.

Condenado neste caso, Bolsonaro ficaria inelegível em 2022.

Em plena pandemia, o Brasil não mereceria passar por tal vexame.

Mas, o temperamento incontrolável do presidente conduziu o país a esse impasse.

Só resta aguardar os fatos.

 

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