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Filiados ao União Brasil terão que se adaptar ou seguir outro caminho, diz Luciano Bivar sobre novo partido

Postado às 11h28 | 08 Oct 2021

Globo

Deputado cita presidenciáveis da sigla, diz querer ‘estar no 2º turno’, e não descarta conversas com Bolsonaro

Para Luciano Bivar, presidente do União Brasil, partido recém-surgido da fusão entre DEM e PSL, os filiados à sigla terão que se adaptar ao programa partidário ou tomar seus “caminhos”. Após ajudar a eleger Jair Bolsonaro em 2018 pelo PSL, Bivar diz que está em tempo de “reparar o que fez no passado” e que não quer que o Brasil repita o que viveu na ditadura.

Os ministros do governo Bolsonaro que hoje estão no DEM, Tereza Cristina (Agricultura) e Onyx Lorenzoni (Trabalho), vão permanecer no partido?

O que nós queremos é que todos que estejam no PSL e no DEM permaneçam.

Mesmo os bolsonaristas?

São decisões que cabem a cada um deles, não a nós. Nós temos um programa e cada um tem que se adaptar àquilo. Eu sou partidarista. Qualquer um que esteja confortável ou desconfortável, que tome os caminhos que melhor lhe aprouver.

O objetivo nas eleições de 2022 é ser o partido da “terceira via”?

Não diria que queremos ser a terceira via. Queremos representar um candidato que com certeza vai para o segundo turno.

Apoiaria Sergio Moro, por exemplo?

Eu sou porta-voz da União Brasil. Isso tem de ser decidido no partido.

Quais são hoje os principais quadros para a eleição?

O DEM tem uma infinidade, tem o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, tem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem o ACM Neto (presidente do DEM). É muito rico. O PSL também tem bons quadros, mas fico mais constrangido de falar, já que sou do PSL.

Como presidente do União Brasil, sentaria para conversar com o Bolsonaro?

Eu sou o porta-voz do União Brasil, e circunstancialmente sou o presidente. Mas nada será feito no partido sem comum acordo com a bancada. Não digo só em relação a Bolsonaro, mas a qualquer líder. Tenho que combinar com a bancada do União Brasil. Eu sou como um príncipe do Palácio de Buckingham, que só vai em coisas mandado pelo primeiro-ministro. Uma representação mais litúrgica.

O primeiro-ministro seria ACM Neto (secretário-geral do partido)?

É o colegiado. Hoje, não me sinto mais responsável por tudo, como era no PSL.

Como vai ser a relação com a bancada bolsonarista? Devem sair?

Há sempre cisões por conta de lideranças na Câmara, mas essas rusgas que houve foram entre eles. Agora tem um partido maior, há um novo sentimento. As pessoas de bem, de valor, de propostas, não têm por que não esquecerem as rusgas.

O senhor ainda tem alguma mágoa sobre o episódio da crise do PSL com Bolsonaro?

Por que ter mágoa de alguém que nunca me causou nenhum dano material? Acho que fizemos um projeto juntos, para um país diferente e reformista, com uma economia pujante, com a diminuição do Estado ocioso e perdulário. Mas, infelizmente, houve um descaminho na administração do país e certamente cada um tem uma ideia do que é melhor para o país. A minha ideia hoje é diferente da ideia dele. Mas isso não significa que a gente tenha mágoa um do outro. Eu não tenho mágoa. Eu tenho uma neta de 17 anos. Como hoje posso correr o risco de ver garotas como a minha neta passarem 30 anos sem seus direitos políticos? Com seus direitos civis cerceados? Eu era de uma faculdade (na ditadura) e militava alguma coisa de política e já tinha ideia de que aquilo tudo era como um grêmio estudantil. A gente estava discutindo e vinha o AI-5 e mudava tudo. Então, às vezes, eu nem me importava. Me chamavam de direita burguesa. Os meus amigos ativistas contra aquilo, mas eu era um desesperançoso naquela época. Muitos deles tiveram de viajar para fora. Outros só tenho retrato na parede. Então, não quero contribuir para isso não. Alguma coisa que me dê alguma oportunidade de reparar alguma coisa que fiz no passado. O momento ainda me resta.

Reparar em que sentido?

Nunca é tarde para pedir perdão, de reparar meus caminhos. Então a vida é assim. O que a gente pode reparar das coisas do passado que foram certas ou erradas. Então, se a gente tem força e seiva para reparar, que repare. Seja resiliente.

A defesa das liberdades civis é crucial neste momento?

Para mim é crucial.

O PSL sofreu com denúncias sobre candidaturas laranjas. Como vai conduzir para que isso não se repita em 2022?

Acontecem distorções. Nesta última eleição municipal, mais de três mil mulheres tiveram entre um e zero votos. Isso é uma coisa inadmissível. Com relação à participação, você tem de incentivar as mulheres? Tem sim. Mas neste momento você tem a legislação correndo de acordo com as demandas. Tem de combater o machismo primeiro.

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