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Opinião: "Nações ricas concentram as vacinas"

Postado às 06h49 | 20 Sep 2021

Ney Lopes

A ONU criou um órgão destinado a coordenar a produção e distribuição de vacinas contra a Covid.

Chama-se “Países e Assuntos Governamentais da Aliança de Vacinas (GAVI)”.

O diretor responsável denunciou, que o acesso à vacinação permanece fora do alcance de grande parte da população mundial. Os países ricos têm um excedente de pelo menos 1.200 milhões de vacinas contra o covid-19. Muitos continuam a fechar contratos com empresas farmacêuticas para receber mais doses nos próximos meses.

Há pelo menos 1,2 mil milhões de doses excedentes nos países ricos, que poderiam ser  aproveitadas com as populações carentes do mundo.

O que a OMS temia aconteceu e enquanto os países desenvolvidos armazenaram centenas de milhões de vacinas e passaram a oferecer uma após a outra uma terceira dose às suas populações, apenas 5,8% da população da África recebeu a primeira.

O presidente, Biden apresentará proposta para estender a vacinação a 70% da população mundial em um ano.

A indústria farmacêutica divulgou que até agora que foram produzidas cerca de 8 mil milhões de doses de vacinas, que chegarão a 12 mil milhões até o final do ano e a 24 mil milhões até meados de 2022.

O diretor da OMS cobrou que os países ricos transfiram mais vacinas e recursos ao programa de distribuição global de vacinas (Covax), que teria como meta vacinar até setembro 10% da população de países de renda baixa ou média (250 milhões de pessoas).

Até agora, houve doses suficientes para vacinar 1%.

Deveria ser viabilizada a proposta, no sentido dos fabricantes de vacinas separarem 50% de sua produção para ser adquirida pelos programas de distribuição igualitária.

Até o momento, foram distribuídas apenas 72 milhões de doses para 125 países.

Cientistas afirmam que a desigualdade no acesso às vacinas é uma das principais causas do contínuo surgimento de variantes do coronavírus, que são mais contagiosas e, em certos casos, podem causar doenças mais graves.

A covid-19 provocou pelo menos 4.667.150 mortes em todo o mundo, entre mais de 226,96 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia.

Segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. essa doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil ou Peru.

Além do flagelo da pandemia, as nações pobres se privam dos imunizantes, que passam a ser privilégio dos países mais ricos.

Sem dúvida, quadro humano desafiador, que impõe uma reflexão séria.

O momento seria agora, durante a Assembleia Geral da ONU.

 

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