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"Voto jovem: decisivo para o Brasil" - Ney Lopes hoje na "Tribuna do Norte"

Postado às 05h38 | 04 May 2022

Ney Lopes 

Hoje, 4 de maio, termina o prazo para a inscrição eleitoral dos jovens maiores de 16 e menores de 18 anos, que votam tanto nas eleições gerais, quanto municipais.

Adolescentes com 15 anos podem se alistar, desde que tenham 16 anos completados antes do primeiro turno, marcado para 2 de outubro.

Esse segmento vota no Brasil, desde outubro de 1988, quando foi estabelecido o voto facultativo, que deve ser estimulado a comparecer às urnas.

A idade dos direitos plenos de cidadania é uma ‘invenção’ razoavelmente recente do mundo moderno.

Basta recuar duas gerações para se perceber que a maioria das pessoas começou a trabalhar antes dos 16 anos, o que hoje seria considerado trabalho infantil.

Nos últimos dez anos, a participação do jovem eleitor no Brasil caiu de 4 milhões para menos de 900 mil, segundo o TSE).

Felizmente vem ocorrendo um despertar da nossa justiça eleitoral, que investiu em tecnologia e tornou mais simples o alistamento, que pode ser feito de forma online, em  processo que leva menos de 10 minutos.

 Em consequência, as previsões para 2022 são otimistas.

O TSE registra um crescimento de 45% dos títulos de jovens emitidos até março e avalia que essa eleição será a maior com a participação da juventude.

Enquete do UNICEF revela que, nove em cada dez jovens brasileiros, afirmam que o voto tem poder para transformar a realidade.

Além disso, 64% dizem que vão votar este ano; 21% ainda não sabem; e 15% não irão votar.

Em diversos países, os jovens têm desempenhado papel fundamental nas eleições e na construção de novos sonhos para o futuro do planeta.

Estudos sócio-políticos evidenciam a conscientização geral, sobretudo dos jovens, da necessidade de novas políticas públicas, após a pandemia, sendo fundamental a participação no aprimoramento dessas políticas.

A politização é cada vez maior pela Internet. Antes isso era feito pela família ou a escola.

Agora, a rede social conseguiu ampliar o debate e o envolvimento.

Há dramas humanos concretos com os filhos vendo os pais perderem os empregos e a renda na pandemia.

Jovens tiveram os estágios interrompidos, ou foram dispensados do trabalho.

A crise sanitária e econômica atingiu em cheio as famílias brasileiras.

E foi especificamente cruel com os jovens.

A taxa de desemprego entre os que têm entre 18 a 24 anos disparou, chegando a 25,7%

Na população, considerando todas as faixas etárias, a média geral de pessoas sem trabalho chegou perto de 30%.

Até à década de 70 do século XX, quase todos os países europeus tinham a idade de voto fixada nos 21 anos.

]Muitos baixaram esse limite para os 18 anos, mas no Brasil, por exemplo, pode-se votar a partir dos 16.

Nos EUA, é possível conduzir carro a partir dos 16 anos, mas votar só depois dos 18 e ir à discoteca apenas aos 21. A maioridade pode diferir, dependendo do estado americano de residência.

Na maior parte dos países — como o Irã, a Arábia Saudita ou o Iémen —, a maioridade é instituída aos 15 anos, mas há outros — como o Líbano, a Malásia, Singapura ou a Arábia Saudita — que fixam a maioridade nos 21.

Na Tailândia e em Taiwan, ela chega aos 20 anos.

Em Portugal, a mesma alteração dos 21 para os 18 anos fez-se com a reforma do Código Civil de 1977. No Japão, apenas em 2015 se baixou a idade de voto dos 20 anos para os 18.

A Europa discute baixar a idade de voto, influenciada pelas eleições austríacas de 2007, nas quais se reduziu a idade de voto dos 18 para os 16 anos e o sucesso nos resultados eleitorais foi grande.

Os eleitores de 16 anos votaram mais do que o segmento dos 18 aos 21 anos.

Só em 1970 é que o Reino Unido baixou a idade de voto para 18 anos.

Na Escócia, em Malta e na Alemanha, os cidadãos desta idade podem votar apenas em eleições locais. O dado mais interessante sobre esse eleitorado é a sua elevada participação: entre 70% a 80%.

Diante da aguda crise nacional, uma das alternativas é a mobilização do voto jovem.

Nunca foi tão atual a advertência de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silencio dos bons”.

 

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